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Estamos agora a apenas cinco anos da fatídica data de 21 de dezembro de 2012, data que é provavelmente o dia em que uma mudança radical ocorrerá no planeta, possivelmente uma mudança catastrófica. Eu recomendo a leitura de meu primeiro artigo, intitulado O Problema de 2012, o qual discute a dificuldade em localizar uma data única como um ponto crítico para uma grande transição.
Pelo contrário, acredito que a data de 21 de dezembro de 2012 seja um símbolo que existe com uma ironia extraordinária. Qualquer data em particular é uma marca criada pelo homem mostrando o conceito de um ponto no tempo. Se você considerar que certos eventos podem acontecer antes de uma data ou após uma data em particular, então o nosso conceito de ‘tempo’ também denotaria, por implicação, a passagem do tempo. Acho isso irónico, pois a grande transição ou evolução da qual podemos estar nos aproximando certamente tem a ver com uma completa renovação da nossa consciência do tempo ou até mesmo com a erradicação do tempo em si. É provável que o tempo seja facilmente erradicado, pois ele, em primeiro lugar, nem mesmo existe! O tempo é uma noção ou perspectiva. Ele não é uma coisa tangível em si. O tempo é o resultado da nossa observação habitual de coisas e eventos, e como aprendemos a marcar a sua existência ou ocorrência.
De qualquer modo, 21 de dezembro de 2012 é a data na qual o calendário Maia chega a um fim. Este final de um grande ciclo na profecia Maia coincide com profecias similares de outros povos indígenas, como os Hopi da América do Norte. O grande temor que pessoas ao redor do globo compartilham sobre a condição da humanidade e o planeta sugere que uma rápida transformação e mudança podem ocorrer. Nós somos como os animais que podem prever uma tempestade chagando e procurar abrigo. Isto pode ser inevitável.
Ao falarmos sobre o nosso temor colectivo, estou me referindo a um consenso plural que existe por quase todas as fronteiras nacionais, que é uma preocupação sobre recursos se extinguindo e sobre os problemas políticos e ambientais que parecem ser sem solução. Parece que a humanidade vive de crise em crise. Nós existimos num constante estado de alerta, esperando as notícias de uma nova guerra, ou custos astronómicos de vida, ou a moeda que nós usamos para comprar coisas perdendo o seu valor. O filme de Al Gore, Uma Verdade Inconveniente, foi um sucesso no mundo todo, e iniciou um pensamento colectivo sobre a idéia de uma mudança climática devido às emissões de carbono.
Recentemente ficamos sabendo que a população mundial atingirá 7 bilhões em 2012. A população está crescendo tão rapidamente que houve um aumento de 400% apenas nos últimos 100 anos! Num gráfico, este crescimento é chamado de exponencial ou assintótico e a linha de tendência tem o formato da letra J.
O crescimento da população ocorreu num ritmo constante por 10.000 anos (A, no gráfico abaixo) até que a Peste Negra varreu o continente europeu e resultou num declínio de um quarto da população mundial. Então, durante um período relativamente curto de apenas 62 anos, a Bíblia Guttenberg foi impressa, em 1455, Colombo viajou às Antilhas, em 1492, e Martin Lutero apresentou as suas 95 Teses, em 1517. Sendo assim, você teve a palavra impressa, o nascimento da descoberta e a reforma Cristã acontecendo quase que simultaneamente.
Se você considerar que a crença comumente mantida do tempo era de uma terra relativamente pequena e quadrada, a viagem de Colombo mudou a humanidade profundamente. Esse também foi um tempo aproximando-se do final de um período de 1.000 anos da Escuridão da Idade Média, em que toda a autoridade do planeta estava nas mãos da igreja, então, o acto desafiador de Martin Lutero revolucionou toda a autoridade humana quase que da noite pro dia. A Escuridão da Idade Média foi um tempo em que quase ninguém sabia ler ou escrever; não havia a necessidade disso. O aparecimento da palavra impressa trouxe uma mudança radical na experiência humana, permitindo que as pessoas, pela primeira vez, obtivessem informação de um modo totalmente novo. Essas grandes transformações, que ocorreram quase que da noite pro dia, trouxeram o fim da Escuridão da Idade Média, marcando o início da transformação da consciência colectiva e individual com tanta rapidez que a noção das pessoas em termos de ‘humanidade’ e até mesmo de seus ideais de cultura foram mudados profundamente e para sempre. O mundo nunca mais foi o mesmo.

Essa mudança incrível do pensamento e da consciência humana transformou a cultura humana no planeta e literalmente aumentou a ‘capacidade biótica máxima’ das civilizações humanas. A nossa confiança como espécie expandiu-se. Sabíamos que havíamos descoberto um novo dia! Então, as eficiências culturais extras adquiridas durante o período da Revolução Industrial, no final do século XVIII, permitiram que a população mundial crescesse ainda mais rapidamente, resultando no crescimento exponencial dos últimos 250 anos (B, no gráfico acima).(1)
Há alguns anos atrás, li um artigo que sugeria que aproximadamente metade dos seres humanos que já nasceram estão vivos hoje. Essa idéia espalhou-se e foi considerada como um facto, quando, simplesmente, não é verdade. De forma lamentável, acho que fiz menção dessa informação errónea em palestras que proferi. O que é verdade é que existe informação suficiente para calcular que aproximadamente já existiram 106,4 bilhões de pessoas desde o início da humanidade, digamos, há 55.000 anos. Isto significa que 5,8% de todas as pessoas que já nasceram estão vivas hoje.
De qualquer modo, a percentagem de 5.8% ainda me assusta. A consciência colectiva humana que é incorporada em seres humanos vivos e respirando, apresenta a possibilidade na qual eu acredito de uma responsabilidade ou carma colectivo que está nos levando a uma transformação e conclusão. Quando a Peste Negra desapareceu do continente europeu no século XIV, o resto da população mundial, na época, também teve um carma colectivo que jogou a humanidade numa completa transformação apenas 100 anos mais tarde. As pessoas da época não tinham idéia da enorme mudança que estava dobrando a esquina.
Acredito que, como nos aproximamos do ano 2012, estamos experimentando um tipo de compressão cármica. Essa compressão é um aumento na velocidade da taxa em que as consequências dos nossos actos se manifestam nas nossas vidas. Quando falo de consequências, quero dizer as ‘boas’ e as ‘más’. Elas são apenas o resultado de nossos actos ou da energia que gastamos. As nossas intenções de serviço aos outros estão rapidamente se transformando em iniciativas cooperativas e projectos que são rapidamente aceites. Quando isso acontece, estamos vendo as nossas intenções tornarem-se claras. De um modo parecido, o nosso carma nos joga para trás quando nos tornamos egoístas e arrogantes.
O carma instantâneo vai te pegar
vai te atingir bem na cabeça
É melhor você se prevenir
Logo estará morto
No que você está pensando?
Rindo da cara do amor
O que você está tentando fazer?
Só depende de você, sim, de você!
John Lennon, 1974
Este princípio de compressão cármica é importante ao nos aproximarmos de uma época de grandes mudanças, pois nos ensinará que estamos conectados a todos e a tudo. A grande ilusão e a grande mentira em que fomos levados a acreditar é que somos separados uns dos outros. Quando você age de um modo maldoso em relação a alguém, e você rapidamente recebe um eco de seu acto maldoso para si mesmo, você então começa a perceber que você é o mesmo que a pessoa que recebeu a sua maldade. Existe uma sinapse na nossa experiência com nós mesmos e na nossa experiência com os outros que está se fechando.
Eu sugeri, no meu primeiro artigo sobre 2012, intitulado O Problema de 2012, que a nossa noção de tempo ia passar por uma mudança drástica. A percepção do tempo como estamos acostumados existe em observar cada momento como se ele fosse separado de qualquer outro momento. Em outras palavras, acostumamo-nos a conhecer o tempo do mesmo modo que conhecemos outras pessoas ou coisas. Cada parte do tempo é separada de qualquer outra parte do tempo.
Exactamente como as pessoas do século XIV, temos agora pouco entendimento sobre o que está ‘virando a esquina’! Algo realmente incrível está prestes a acontecer!
Se, num período de tempo relativamente curto, uma nova ‘meta qualidade’ for adicionada à experiência consciente dos indivíduos, então cairá por terra a importância dos eventos passados e futuros, assim como a importância do relógio. A consciência à qual estamos nos adaptando está além de qualquer marco previamente estabelecido. A consciência humana existirá dentro de uma nova compreensão holográfica. Ela existirá na tranquilidade do momento presente. Esta é uma mudança na consciência que mudará para sempre quem somos como seres humanos.
O período do Renascimento, dos séculos XIV a XVII, será exactamente igual a esta outra grande revolução da consciência na qual estamos embarcando. Estamos às portas de um novo Renascimento; uma confiança novinha em folha.
Os índios Kogi do norte da Colômbia têm um conceito de consciência chamado de Aluna. Eles acreditam num ponto de referência que está dentro de nós ou numa dimensão interior onde, daquele ponto do tempo em si, deixa de existir como nós conhecemos. Na dimensão Aluna, tudo o que está no passado e no futuro existe agora no presente. A dimensão Aluna é um lugar real; é um ponto de referência que existe em todos nós. Talvez esteja adormecida em muitas pessoas agora, mas como um órgão sem uso ou atrofiado, ela é uma percepção que, uma vez acordada, torna-se viva e importante.
Quando Colombo fez sua viagem, mesmo os cépticos tiveram que notá-la; a verdade normalmente aceite mudou ... para todos. Esta dimensão de eternidade é real. Inevitavelmente nós seremos todos acordados.
Enquanto a maior parte da humanidade existe em culturas consumistas pós-modernas, existem pequenos números de culturas nativas indígenas, como os Kogi, por todo o planeta. Essas culturas sobreviveram por milénios e a maior parte de seus valores culturais permanece inalterada até hoje. Há uma profunda conexão entre os povos indígenas com a terra como fonte de vida. Eles vêem a terra como a provedora de vida e sustento. Eles vivem em harmonia com a natureza. Eles não colocarão uma enxada na terra para plantar sementes sem antes fazer uma oferenda ou uma prece de agradecimento à terra. Eles sabem que o que eles são veio da terra. Eles vêem todas as criaturas como semelhantes.
Essa conexão com a terra é o reconhecimento de que tudo está conectado. Muitos perderam essa conexão com essa unidade ou fonte; as suas mentes alertas estão habituadas à noção de separação. Assim que a consciência humana for mudada, a percepção da união entre todas as coisas, a interconectividade de todas as coisas surge naturalmente.
Na verdade, cada célula de nossos corpos vem da terra. Até mesmo as matérias ‘feitos pelo homem’ são apenas compostos que foram retirados da terra e remodelados em algo ‘feito pelo homem’.
Quando enxergamos o mundo como nosso domínio e indiscriminadamente o saqueamos e pilhamos, esquecemo-nos que viemos da terra. Adormecemos numa ilusão onde somos separados.
A terra fornece-nos um sistema de suporte à vida perfeito. O nosso planeta dá-nos o ar que respiramos; a água que bebemos; os animais e as plantas para comermos. Quem sabe quão perfeita é a dieta humana. Tentamos empregar o uso de plantas superalimentos como o Açaí nos nossos workshops. Certos alimentos como o Açaí podem literalmente supercarregar os nossos corpos. Certamente, a provisão que vem de uma fruta madura, pronta para comer, pendurada na árvore para apanharmos, é a definição da natureza de comida rápida! Suspeito que muito da dieta humana evoluiu em torno de prioridades como conservação e oferta de alimento e não necessariamente comer o alimento mais nutritivo ou que mais cura. As plantas dão-nos o alimento pronto para comer e nutrir os nossos corpos.
Mas as plantas existem numa relação mais completa (embora às vezes esquecida) com os humanos. Há uma variedade completa de outras plantas que, sendo medicinais na natureza, nos dão a cura para infecções, doenças e enfermidades do corpo. Muitas das drogas sintéticas actuais, fabricadas por empresas farmaceuticas, são criadas como cópias sintéticas de uma fonte medicinal de plantas.
Além disso, há plantas que curam a alma das pessoas. Essas plantas são as professoras xamânicas e vêm sendo usadas há milênios por pessoas como os Kogi para habilitar a sua percepção da dimensão Aluna. É extremamente adequado para nós, do mundo civilizado, apelarmos para tradições indígenas tentando compreender e enfrentar outra grande transformação de nossa própria humanidade.
Sinto uma grande esperança para o futuro daqueles que abrirem os seus corações e mentes para a grande mudança que está por vir!